Tabagismo: Minha jornada após 20 anos e o apoio fundamental da UBS

Este ano, decidi que era hora de assumir o controle. Hoje, aos 38 anos, olho para trás e percebo que passei 20 deles acompanhado pelo cigarro. É mais da metade da minha vida. Mas decidi que 2026 seria um marco de mudança: iniciei um projeto de reestruturação total. Entrei na academia, vou começar uma dieta, passei a controlar rigorosamente o consumo de álcool e, finalmente, encarei o meu maior e mais antigo adversário: o tabagismo.

Neste exato momento, estou há uma semana sem fumar. Para quem não tem o vício, sete dias não são nada. Para quem fuma, é uma verdadeira eternidade e uma das maiores vitórias diárias que se pode conquistar.

Muita gente acha que parar de fumar é só uma questão de “ter força de vontade” e acaba sofrendo desnecessariamente tentando cortar o mal pela raiz na força bruta. Reconhecer que precisamos de ajuda é o primeiro e mais inteligente passo.

Fui buscar apoio na nossa Unidade Básica de Saúde (UBS). O SUS possui um programa específico e muito bem estruturado para o controle do tabagismo. Lá, recebi não apenas acompanhamento, mas também a medicação para ansiedade disponibilizada pelo programa.

A falta de nicotina é cruel. Ela bagunça a química do seu cérebro e gera uma ansiedade e um estresse que, nos primeiros dias, parecem incontroláveis. Ter esse suporte médico e medicamentoso para segurar a onda fisiológica da abstinência está sendo um divisor de águas na minha jornada.

Nessa fase inicial, o estresse bate no teto. E adivinhe quem acaba sentindo os respingos disso? Quem está mais perto. É exatamente por isso que o apoio familiar é insubstituível.

A Marina e as meninas têm sido o meu porto seguro. A compreensão de quem convive com a gente, entendendo que o mau humor, a irritabilidade ou o nervosismo momentâneo não são pessoais, mas sim sintomas da abstinência, é o que nos dá forças para não recair. O amor e a paciência de casa funcionam como um escudo. Se você está passando por isso, converse com sua família e explique que os primeiros dias serão difíceis, mas que o esforço é pelo bem de todos.

Como enganar o cérebro: A tática da substituição

O cigarro é um vício químico, mas é também um vício comportamental e mecânico. A pausa no trabalho, a respiração funda, o movimento de levar a mão à boca… tudo vira um ritual encravado na rotina.

Para vencer a “fissura” (aquela vontade aguda e incontrolável que dura alguns minutos), você precisa substituir o hábito. Algumas pessoas bebem um copo de água gelada, outras mascam chiclete, ou saem para dar uma volta.

Para mim, o que funcionou como uma verdadeira salvação foi o inalador de Vick.

Sempre que a vontade de acender um cigarro ataca, eu pego o inalador. Ele simula perfeitamente a mecânica de levar algo à boca, e a inalação profunda do mentol forte dá um “choque” sensorial gelado que ajuda a acalmar o cérebro, satisfazendo aquele impulso mecânico respiratório. Tem sido a minha principal ferramenta tática nessa primeira semana.

Um dia de cada vez

Estou apenas no começo. A jornada é longa, mas a positividade e a clareza do que precisa ser feito me empurram para frente. Os benefícios de recuperar o fôlego na academia, sentir o sabor real da comida e, principalmente, ter a liberdade de não depender de um maço no bolso já fazem todo o esforço valer a pena.

Se você também fuma e quer parar, procure a UBS mais próxima de você. Não lute essa batalha sozinho se estiver muito pesado. Existe tratamento, existe medicação gratuita, existe o apoio da sua família e, o mais importante, existe uma versão muito melhor e mais saudável de você esperando do outro lado.

Seguimos firmes, um dia de cada vez!

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