O Custo do Atraso: Como a nova taxação de eletrónicos impacta a produtividade e a modernização das empresas

Recentemente, o mercado foi impactado com a publicação da Resolução GECEX nº 852/2026, que elevará em até 25% o imposto de importação sobre milhares de itens. A lista foi ampliada e abrange mais de 1.252 produtos, englobando desde smartphones, monitores e componentes eletrónicos até computadores e equipamentos críticos usados em Data Centers, como CPUs e máquinas industriais.

Mas o que isso significa na prática para o mercado corporativo e para a estruturação de novos negócios?

A Justificativa Oficial vs. A Realidade do Mercado

A justificativa oficial para a medida é melhorar as contas externas brasileiras, que sofreram com a redução do superávit comercial no último ano, e proteger a indústria nacional. O governo argumenta que o aumento nas tarifas visa corrigir distorções que geravam desvantagem competitiva para a indústria brasileira, focando em produtos que já possuem fabricação no país.

No entanto, a realidade do setor de tecnologia é muito mais interligada globalmente. O Brasil possui fortes linhas de montagem, mas ainda depende amplamente de componentes e tecnologias importadas. Ao encarecer o produto final ou os seus insumos, a medida pode acabar por proteger apenas a etapa de montagem, elevando o preço para o consumidor final e para as empresas, sem necessariamente criar um polo tecnológico robusto.

Importadores e representantes do setor, assim como comunidades de tecnologia, já alertam que a elevação das tarifas pode aumentar os custos em toda a cadeia produtiva, gerando pressão inflacionária e dificultando a modernização das empresas que dependem de maquinaria importada para operar.

O Impacto na Produtividade e nas Negociações B2B

É aqui que a teoria económica esbarra no dia a dia das operações e na gestão de projetos. Equipamentos mais velhos ou defasados deixam o trabalhador consideravelmente menos eficiente. Quando atualizar o parque de máquinas, renovar servidores ou expandir a topologia de rede de um Data Center se torna financeiramente proibitivo, é a produtividade de toda a operação que sofre.

Para quem atua a desenhar soluções de tecnologia e a estruturar propostas comerciais complexas, este cenário exige uma mudança imediata de postura:

  • Fuga do Oceano Vermelho: Se o custo de importação sobe, vender infraestrutura baseada apenas em “preço” torna-se uma guerra perdida. O foco deve migrar totalmente para a venda consultiva e para a Diferenciação.
  • Venda de Impacto: O investimento em novos equipamentos (sejam servidores Dell, soluções de segurança Kaspersky ou infraestrutura de rede) precisará de ser justificado não pelo custo do hardware, mas pelo impacto direto na redução de riscos, no ganho de eficiência operacional e na escalabilidade.
  • Atenção às Exceções: Para o setor de infraestrutura pesada, o governo sinalizou que procurará manter a previsibilidade, indicando que equipamentos voltados a Data Centers poderão contar com listas de produtos com tarifa zero por prazos determinados, mesmo que surja produção nacional. Mapear estas janelas fiscais será parte fundamental da estruturação de qualquer projeto tecnológico.

Conclusão

Num momento em que a tecnologia e a automação de processos são os principais motores de competitividade, criar barreiras para a modernização é um desafio imenso para o desenvolvimento. A impaciência e a frustração com o aumento de custos são reações naturais, mas a inteligência emocional nos negócios pede foco naquilo que pode ser controlado.

Mais do que nunca, os projetos precisarão de ser desenhados com extrema precisão técnica e comercial. O papel do consultor de negócios deixa de ser apenas o de apresentar uma tabela de preços e passa a ser o de um verdadeiro arquiteto de decisões, ajudando o cliente a navegar num cenário de custos mais altos, garantindo que o investimento em tecnologia continue a trazer retornos concretos e sustentáveis para a organização.


Referências:

  1. Diário Oficial da União (DOU). Resolução GECEX Nº 852, de 4 de fevereiro de 2026. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-gecex-n-852-de-4-de-fevereiro-de-2026-685397607.
  2. InfoMoney. Governo aumenta imposto de importação de 1,2 mil itens para melhorar contas externas. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/governo-aumenta-imposto-de-importacao-de-12-mil-itens-para-melhorar-contas-externas/.

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