Quem convive comigo sabe que sou católico e que minha fé é um alicerce fundamental na minha vida, principalmente nos últimos anos. No entanto, sempre gostei de ler sobre espiritualidade e comportamento humano, independente da fonte. Acredito que a sabedoria é universal e, quando encontramos um conhecimento que podemos aplicar na prática, seja na vida espiritual ou na rotina de trabalho, a sensação é de que a alma sai revigorada.
Ontem, na hora do almoço, essa busca me levou a ler uma obra que me trouxe grandes reflexões: o livro “Paciência”, de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito Emmanuel. (Caso queira ler, a obra pode ser acessada neste link).
Em tempos de internet 5G, vídeos curtos e respostas imediatas, a paciência virou um artigo de luxo. Mas, lendo o livro, fui confrontado com uma verdade dura: a paciência não é apenas “esperar sem reclamar”. Ela é um exercício de inteligência emocional e uma estratégia de sobrevivência — no trabalho, em casa e dentro de nós mesmos.
A “Face Trancada” e a Comunicação Não-Verbal
Um dos capítulos que mais me tocou fala sobre a “Face Trancada”. Quantas vezes, no ambiente de trabalho ou ao chegar em casa, acreditamos que não estamos dizendo nada, mas nosso rosto está gritando irritação? Lembro-me também do clássico livro “O Corpo Fala”, que reforça como nossa postura entrega nossos sentimentos antes de qualquer palavra.
O texto de Emmanuel nos lembra que o semblante amarrado distancia as pessoas e bloqueia oportunidades de auxílio. Como consultor, vejo isso na prática: você pode ter a melhor solução técnica para um cliente, mas se a sua comunicação não-verbal transmitir impaciência ou intolerância, a porta se fecha. O sorriso ou a serenidade, mesmo nas dificuldades, é o cartão de visita que diz: “Estou aqui para somar, não para julgar”.
Trazendo para dentro de casa, o impacto é ainda maior. Quando o marido ou a esposa chega com a “cara fechada” devido aos problemas externos, a conexão se quebra instantaneamente. Em vez de o lar ser um ponto de equilíbrio e apoio mútuo, a “face trancada” ergue uma barreira. O parceiro se arma na defensiva e a oportunidade de dialogar para chegar a uma solução se perde no silêncio hostil.
O Mito da Vítima: A Tolerância Mútua
Temos o hábito de pensar que somos nós que precisamos ter paciência com o mundo. O chefe é exigente, o cliente é confuso, o familiar é difícil. Mas a leitura traz uma inversão de perspectiva genial sobre a “Tolerância Mútua”.
Esquecemos que, muitas vezes, nós somos o teste de paciência de alguém. Somos nós quando esquecemos um compromisso, quando estamos tensos e respondemos mal, ou quando exigimos dos outros uma perfeição que não temos. Reconhecer que também precisamos ser tolerados é o primeiro passo para descer do pedestal e humanizar nossas relações.
Paciência como Estratégia de Carreira
No mundo corporativo, a impaciência é uma grande sabotadora.
- Se ficamos doentes ou enfrentamos um problema familiar, a revolta só agrava o quadro.
- Se buscamos uma promoção ou um novo contrato, a ansiedade nos torna “candidatos indesejáveis”.
A impaciência cria obstáculos onde eles não existiam. A paciência, por outro lado, é a arte de não destruir o auxílio que já está a caminho. É saber que o “não” de hoje pode ser o “sim” de amanhã, se soubermos manter a ponte construída.
O Exercício Diário (Autoflexão)
A lição que fica dessa leitura é que a paciência é um músculo. Ela não aparece magicamente na hora da crise; ela precisa ser treinada nas pequenas coisas:
- Na fila do trânsito: Em vez de buzinar, usar o tempo para ouvir um podcast ou apenas respirar.
- No grito de alguém: Entender que a agressividade do outro fala sobre a dor dele, não sobre você.
- No erro alheio: Lembrar de quantas vezes você também errou e foi perdoado.
Um Ato de Confiança Espiritual
Por fim, para nós que buscamos viver a espiritualidade na prática, a paciência é, acima de tudo, um ato de fé.
Muitas vezes, nossa impaciência é um sinal de rebeldia contra o tempo de Deus, querendo impor o nosso cronograma imediatista à sabedoria divina. O livro nos alerta que a irritação constante é um desperdício das forças sagradas que recebemos. Como Emmanuel nos ensina na obra: “A paciência é, desse modo, a nossa capacidade de esperar os desígnios de Deus, trabalhando e servindo, sem as precipitações de quem não confia na Divina Sabedoria.”
O convite que faço a você hoje é o mesmo que fiz a mim ontem: olhe para as dificuldades não como punições, mas como “personal trainers” da sua alma.
Que possamos exercitar essa paciência ativa, que constrói pontes em vez de muros, e que entende que a paz não é a ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com eles sem perder a própria essência.

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