Mais uma vez, o trânsito a caminho do trabalho serviu de cenário para as minhas conversas com a Marina. O tema da vez? O clássico medo de “mimar” os filhos.
Nossa filha de 3 anos está atravessando aquela fase intensa e desafiadora: já não é uma bebezinha de colo que aceita tudo, mas também não tem a maturidade ou a coordenação para fazer tudo o que deseja sozinha. O resultado prático dessa equação a gente já conhece: chiliques, birras e testes diários da nossa paciência.
Foi nesse contexto que perguntei a opinião da Marina sobre o que ela considerava, de fato, ser uma criança mimada.
O que (realmente) significa mimar?
Chegamos a um consenso que muda muito a forma como lidamos com a rotina. Mimar não tem absolutamente nada a ver com excesso de carinho, beijos, abraços ou zelo. O amor, por si só, não estraga ninguém.
Na nossa visão, mimar é não deixar a criança fazer aquilo que ela já tem capacidade de fazer. É poupá-la das pequenas frustrações e deveres que constroem o caráter.
Na prática, a diferença é clara:
- Mimar é: Fazer pela criança algo que já é responsabilidade dela, apenas para evitar um choro ou ganhar tempo.
- Não é mimar (é educar): Dar liberdade para que ela viva as consequências boas e “ruins” de suas ações, de forma compatível com a idade.
Permitir (e exigir) que ela guarde os próprios brinquedos após brincar ou ajude a organizar as roupinhas no armário não é falta de amor, é dar autonomia.
A herança da nossa criação e o vídeo do Instagram
Toda essa conversa me fez lembrar de um Reel que passou pelo meu Instagram recentemente. No vídeo curto, uma mulher perguntava a um homem de trinta e poucos anos: “Seu pai falava que te amava?”. Ele respondia que não, mas completava dizendo que hoje faz questão de dizer isso sempre às próprias filhas.
Muitas pessoas olhariam para esse vídeo focando na “falta” do passado. Mas a minha reflexão foi outra.
A verdadeira questão não é o que nossos pais deixaram de fazer (ou as palavras que faltaram), mas sim o que eles fizeram que nos tornou quem somos. Eu me considero um homem bom, um pai responsável e um esposo amoroso. E isso é reflexo direto da criação que tive. Mesmo sem ouvir um “eu te amo” constante, eu sentia todo o afeto do mundo através do cuidado, da proteção e, principalmente, das responsabilidades que me foram ensinadas. Eles me prepararam para a vida.
O nosso jeito de criar: o melhor dos dois mundos
Hoje, o meu objetivo ao criar nossos filhos é unir essas duas forças.
Faço questão de não deixar de fora a base da criação dos meus pais: levo comigo toda a disciplina, o senso de dever e a responsabilidade que me passaram, pois é isso que impede que uma criança se torne um adulto mimado e incapaz de lidar com o mundo.
Mas a esse legado, eu adicionei um plus: o amor explícito e público.
Exigir que a nossa filha de 3 anos junte os blocos espalhados no chão constrói a sua responsabilidade. Dizer “eu te amo”, abraçá-la e validar seus sentimentos (mesmo durante uma birra) constrói a sua segurança emocional.
Afinal, afeto e limite não são inimigos; eles são os dois remos que fazem o barco da educação avançar em linha reta.

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